O TRABALHO DA MULHER NA PANDEMIA COVID-19
TRIPLA JORNADA
Palabras clave:
Mulher, Trabalho, qualidade de vida, Tripla Jornada, Pandemia Covid-19Resumen
A presença expressiva da mulher no mercado de trabalho, exercido fora do ambiente familiar e entendido como a segunda jornada, somado às atividades domésticas, especialmente aquelas relacionadas à educação dos filhos e consideradas como a primeira jornada de trabalho, se agravam quando se insere neste cenário a tripla jornada de trabalho. Assim, o objetivo do presente artigo é demonstrar a sobrecarga de trabalho da mulher no período pandêmico. Esse estudo assumiu um caráter descritivo e analítico, sustentado na abordagem qualitativa. A coleta de dados se deu através de duas técnicas: 1) pesquisa documental, para compreender algumas modalidades de famílias sob os aspectos jurídicos; e 2) dados extraídos de pesquisas feitas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), e, também, através da Rede de Monitoramento Interdisciplinar da Reforma Trabalhista (REMIR). Os resultados ratificaram o entendimento de que as mulheres exercessem uma jornada de trabalho superior à dos homens, apontando, inclusive, uma desigualdade nos afazeres domésticos. Conclui-se que a sobrecarga de trabalho destacada no período da pandemia do coronavírus tem produzido implicações prejudiciais para o trabalho, o convívio familiar e a saúde das mulheres. Por esse prisma, os resultados das pesquisas mostraram como a jornada extraordinária de trabalho, verdadeira tripla jornada, está imbricada na vida da mulher, permeando o seu cotidiano de forma sutil e, portanto, as levando a estabelecer estratégias para dar conta e lidar com as pressões advindas da necessidade de conciliação de múltiplas atividades.
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