COMUNICAÇÃO ARTIFICIAL, VIGILÂNCIA DIGITAL E PROFILING

A UTILIZAÇÃO DE DADOS PESSOAIS PARA PRÁTICAS DISCRIMINATÓRIAS

Autores

  • Laíse Nunes Mariz Leça Faculdade de Petrolina (FACAPE)
  • Hugo Amoedo Vieira Universidade Federal da Bahia (UFBA)

Palavras-chave:

Responsabilidade Civil., Bioética,, Genética

Resumo

O presente trabalho busca analisar a técnica de profiling, que consiste na elaboração de perfis automatizados com base em dados recolhidos em massa. Com o “capitalismo de vigilância”, surge uma nova ordem econômica que se vale da experiência humana como matéria prima para práticas comerciais e o trabalho pretende desconstruir a premissa de que os algoritmos são neutros ou objetivos e verificar como essa perfilização pode contribuir para a manutenção e maximização da discriminação em face de grupos minoritários. O direito à proteção dos dados pessoais, inclusive nos meios digitais, foi alçado à categoria de direito fundamental, previsto no inciso LXXIX do artigo 5º da Constituição Federal e, em uma interação com o direito fundamental à igualdade, portanto, é um desafio para os novos tempos o controle do tratamento desses dados para evitar condutas discriminatórias.

Biografia do Autor

Laíse Nunes Mariz Leça, Faculdade de Petrolina (FACAPE)

Mestre e Doutoranda em Relações Sociais e Novos Direitos pela Universidade Federal da Bahia – UFBA. Professora assistente na Faculdade de Petrolina – FACAPE.

Hugo Amoedo Vieira, Universidade Federal da Bahia (UFBA)

Bacharel em Direito pela Universidade Católica de Salvador – UCSAL. Especialista em Direito Público pela Universidade Federal da Bahia – UFBA.

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Publicado

2025-12-30

Como Citar

Nunes Mariz Leça, L., & Amoedo Vieira, H. (2025). COMUNICAÇÃO ARTIFICIAL, VIGILÂNCIA DIGITAL E PROFILING: A UTILIZAÇÃO DE DADOS PESSOAIS PARA PRÁTICAS DISCRIMINATÓRIAS. Seara Jurídica, 1(23), 93–108. Recuperado de https://publicacoes.unijorge.com.br/searajuridica/article/view/879

Edição

Seção

Artigos