A Infância Marcada pela Biopolítica da Patologização e da Medicalização
Keywords:
Infância, Patologização, Medicalização, Psicanálise, BiopolíticaAbstract
Este artigo tem como objetivo analisar, sistematizar e discutir o que tem sido escrito sobre a patologização e medicalização na infância, compreendendo sua articulação com o social, perpassando pelos serviços de saúde e educação e repercutindo na ideia que temos da infância e como temos agido com as crianças nos dias de hoje, atravessados pelo discurso da ciência e do imediatismo das sociedades capitalistas. Foi utilizado o método de revisão sistemática de literatura, a partir de uma abordagem quanti-qualitativa, tendo como objeto 15 artigos publicados em revistas científicas e disponíveis nas bases: SciELO, BVS e CAPES, seguindo os critérios de inclusão: artigos publicados nos últimos 10 anos, que correspondessem ao tema pesquisado e que fossem resultados de pesquisas empíricas, em língua portuguesa. Foi observado que tais estudos trazem uma relação e discussão da patologização e da medicalização na infância com o Transtorno do Déficit da Atenção e Hiperatividade (TDAH), com o uso do Metilfenidato, a relação desses diagnósticos com o contexto escolar e o baixo número de publicações científicas sobre o tema. Pôde-se perceber que as discussões acerca da patologização e medicalização na infância dão margem para outras possibilidades de discussões epistemológicas e políticas. Foi possível apreender que as produções científicas trouxeram críticas muito pertinentes, fazendo com que este estudo pudesse ser contemplado com a riqueza de discussões postas nas pesquisas analisadas e sistematizadas. É perceptível que o TDAH, o metilfenidato e a escola são indicadores muito frequentes e que requerem atenção dos profissionais de saúde e educação que atuam com o público infantil.
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