DO HOMEM HEGEMÔNICO AO HOMEM JUSTO
Notas para uma justiça de gênero
Palavras-chave:
Masculinidades, Gênero, Performatividade, Sofrimento Masculino, Justiça de GêneroResumo
Este artigo propõe uma análise crítica das masculinidades contemporâneas, com ênfase nos efeitos subjetivos e sociais da masculinidade hegemônica. A partir de uma base teórica que abrange autores como Pierre Bourdieu, Judith Butler, Ivan Jablonka, Michael Kimmel e Valeska Zanello, discutem-se os processos de construção da identidade masculina, as performances de gênero exigidas culturalmente e suas consequências em termos de sofrimento psíquico, exclusão e violência. Argumenta-se que a manutenção da virilidade como dispositivo de eficácia social implica na negação da sensibilidade e da fragilidade masculina, o que repercute em altos índices de suicídio, depressão e negligência com a saúde entre homens. O texto aponta, ainda, para o caráter mutável das masculinidades, discutindo suas possíveis reconfigurações diante das transformações culturais recentes, como o avanço dos feminismos, a visibilidade de sexualidades dissidentes e a crise do modelo tradicional de família e trabalho. Ao final, defende-se a necessidade de uma justiça de gênero que permita a emergência dos chamados “homens justos”.
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