DO HOMEM HEGEMÔNICO AO HOMEM JUSTO

Notas para uma justiça de gênero

Autores

  • Felipe de Souza Monteiro FFLCH-USP

Palavras-chave:

Masculinidades, Gênero, Performatividade, Sofrimento Masculino, Justiça de Gênero

Resumo

Este artigo propõe uma análise crítica das masculinidades contemporâneas, com ênfase nos efeitos subjetivos e sociais da masculinidade hegemônica. A partir de uma base teórica que abrange autores como Pierre Bourdieu, Judith Butler, Ivan Jablonka, Michael Kimmel e Valeska Zanello, discutem-se os processos de construção da identidade masculina, as performances de gênero exigidas culturalmente e suas consequências em termos de sofrimento psíquico, exclusão e violência. Argumenta-se que a manutenção da virilidade como dispositivo de eficácia social implica na negação da sensibilidade e da fragilidade masculina, o que repercute em altos índices de suicídio, depressão e negligência com a saúde entre homens. O texto aponta, ainda, para o caráter mutável das masculinidades, discutindo suas possíveis reconfigurações diante das transformações culturais recentes, como o avanço dos feminismos, a visibilidade de sexualidades dissidentes e a crise do modelo tradicional de família e trabalho. Ao final, defende-se a necessidade de uma justiça de gênero que permita a emergência dos chamados “homens justos”.

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Biografia do Autor

Felipe de Souza Monteiro, FFLCH-USP

Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo (USP), Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), no Programa de Estudos Comparados de Literaturas em Língua Portuguesa. Especialista em Formação Didático-Pedagógico para Cursos na Modalidade à Distância pela Universidade Virtual do Estado de São Paulo (UNIVESP). Graduado e Licenciado em Ciências Sociais (USP).  trockmonteiro@gmail.com.

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Publicado

2025-12-30

Como Citar

DE SOUZA MONTEIRO, Felipe. DO HOMEM HEGEMÔNICO AO HOMEM JUSTO: Notas para uma justiça de gênero. Revista Olhares, Salvador, Brasil, v. 1, n. 15, p. 49–67, 2025. Disponível em: https://publicacoes.unijorge.com.br/revistaolhares/article/view/813. Acesso em: 20 abr. 2026.

Edição

Seção

Artigos