(Des)Envelope
o cotidiano em uma troca mínima
Palavras-chave:
Envelope-de-artista, Arte e vida, Clínica e experimentação, Produção de saúde, ContemporâneoResumo
A escrita deste artigo é uma proposta de alargar, ainda mais, uma produção de arte, que surge, justamente, neste cenário de Pandemia da Covid-19, em que os artistas-pensadores, geograficamente distantes, trocam cartas poéticas-virtuais, usando do acontecimento presente para a feitura de um livro-objeto: envelope-de-artista; obra esta que transita por espaços virtuais-físicos-etc, que vaza para outros modos do fazer artístico (audiovisual, sonoro, imagético, plástico). É a partir destas zonas de contágio que o envelope convoca os artistas a pensá-lo também como uma produção experimental do contemporâneo, isto é, que instaura uma perspectiva expandida de arte, teoria e crítica literária. Deste modo, este corpo-texto se une a pensadores que erguem processos fundamentais sobre arte e vida. Ao entrar em contato com a escrita de Roberto Corrêa dos Santos (2015), aliam-se a ele a fim de propor uma escrita que permeia os conceitos de Clínica e Experimentação: fazer da escrita, campo de movências, produção de saúde; fazer da vida, obra, realidade e ficção. Ao longo destes desdobramentos, surgem outros conceitos, igualmente artísticos-experimentais, como o de rede e vagar, pensado por Deligny (2015); de sensação, por José Gil (2020); além de atravessamentos do pensamento deleuziano e agambeniano, que por suas respectivas forças teóricas, acabam por contaminar esta escrita.
Referências
GIL, José. "Não é, no entanto, a multiplicidade dos instantes que nele prevalece, mas a ‘unidade da singularidade’, isto é, a possibilidade de cada instante reverberar tudo" (2020, p. 15).
GIL, José. "Nada é para nós – seja a realidade externa ou interna, percepções, sentimentos, pensamentos – se não sensações" (2020, p. 13).
GIL, José. "É como se dissesse: sou cada coisa, cada vez que a olho. Em outras palavras: isto é isto (embora a identidade de cada coisa só se sugere no fato de ela não ser toda as outras)" (2020, p. 14).